Fiona Apple leva o Grammy e não tá nem aí

Coincidentemente, ou não (aí vocês vão ter que apostar), no último Toda sexta uma nova artista, a matéria foi sobre uma outra cantora que havia vencido a categoria de Melhor Álbum Alternativo em 2015, St. Vincent, e sobre o histórico da premiação que contemplava poucas artistas mulheres.

Dessa vez, o prêmio foi para Fiona Apple, que já havia ganho um Grammy em 1998 na categoria feminina de Melhor Performance de Rock com a música “Criminal”.

Mas num mundo ideal para o sinestesicas, onde a Fiona Apple nos acompanha semanalmente, creio que não é sobre os números que ela gostaria que eu falasse.

Em 1997 ela já havia feito um discurso icônico “The world is bullshit” (Esse mundo é uma merda) no VMA. Em seu discurso improvisado aos 19/20 anos desafiou todos a conhecerem a si mesmos (“Go with yourself” – Aja de acordo com você mesmo), não se comparar com os outros e não se colocar dentro dos padrões que tentam nos enfiar goela abaixo.

Caso você tenha passado batido por esse discurso ao longo desses anos, essa é sua chance >>>

Fiona não compactua com esse mundo de merda (e com isso me refiro a uma sociedade preconceituosa que inventa padrões inalcançáveis e dopa a nossa autenticidade), e é isso que faz sua música ser tão incrível! Seu álbum “Fetch the Bolt Cutters” é escrever Fiona com outras letras e acordes.

Em entrevista para a Pitchfork no final de 2020 ela comentou que a coisa mais importante do álbum era que ela não estava tentando ser ninguém que não ela, e que aquela era a maneira como ela soava.

Complementa dizendo que estava orgulhosa de si mesma por chegar em um lugar onde reconhece que ela não tem que ser perfeita para produzir algo bom (e que álbum!).

Fiona já havia se antecipado nas redes sociais dizendo que não compareceria na premiação.

Embora tenha críticas ao Grammy, comentou que não iria por não gostar da ideia de aparecer na TV em rede nacional, por não conseguir colocar-se nessa situação sóbria (o que gostaria de manter) e não achar seguro esse local que a coloca em exposição e comparação com as pessoas.

Além da categoria de Melhor Álbum Alternativo, foi indicada para mais duas, e também venceu a categoria de Melhor Performance de Rock com a música “Shameika”.

E assim é como algo genuinamente visceral soa >>>

Foto da capa: Reprodução/Youtube

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